São Vicente de Paulo

Vicente
nasceu na aldeia de Pooy, perto da cidade de Dax, sul da França. Seus dois
irmãos mais velhos ajudavam os pais na lavoura e Vicente era pastor de ovelhas e
de porcos. Desde pequeno, demonstrava muita inteligência e grande religiosidade.
Em frente à sua casa, em um pé de carvalho, tinha um buraco; ele colocou aí uma
pequena imagem da Santíssima Virgem, onde diariamente ajoelhava e fazia uma
oração. Diariamente conduzia os animais para melhores pastagens, onde ficava a
vigiá-los. Aos domingos ia à aldeia, com seus pais, para assistir a missa e
freqüentar o catecismo.
O
Sr. Vigário aconselhou a seu pai para colocar o garoto Vicente em uma escola;
via nele um grande futuro, devido sua inteligência. O pai, que era bem
ambicioso, colocou-o em um colégio religioso, desejando que ele fosse padre e
ser o arrimo da família. Foi matriculado em um colégio de padres Franciscanos,
na cidade Dax, onde ele fez os estudos básicos.
Para seguir a carreira sacerdotal fez os estudos teológicos na Universidade de
Tolusa. Foi ordenado sacerdote em 23 de setembro de 1600. Continuou os estudos
por mais 4 anos, recebendo o título de Doutor em Teologia.
Uma
viúva que gostava de ouvir as suas pregações, ciente de que ele era pobre,
deixou para ele sua herança, pequena propriedade e determinada importância em
dinheiro, que estava com um comerciante em Marselha.
Ele foi atrás do devedor, encontrando-o recebeu grande parte do dinheiro; ia
regressar de navio, por ser mais rápido e mais barato. Na viagem o barco foi
aprisionado por barcos de piratas turcos, e levados para a Turquia. Em Tunis
foram vendidos como escravos.
Vicente foi vendido para um pescador, depois para um químico; com a morte deste,
ele passou pra um seu sobrinho, que vendeu-o para um fazendeiro (um renegado)
que antes era católico, e com medo da escravidão, adotara a religião muçulmana.
Ele tinha três esposas; uma era turca, que ouvindo os cânticos do escravo,
sensibilizou e quis saber o significado do que ele cantava. Ela, ciente da
história, censurou o marido por ter abandonado uma religião tão bonita. O patrão
de Vicente, arrependido, propôs ao escravo a fugirem para a França. Esta fuga só
foi realizada 10 meses depois.
Em um pequeno barco, atravessaram o Mar Mediterrâneo e foram dar na costa
francesa, em Aignes Nortes e de lá foram para Avinhão. Nesta cidade encontraram
o Vice-Legado do Papa. Vicente voltou à condição de padre e o renegado abjurou
publicamente e voltou para a Igreja Católica.
Padre
Vicente e o renegado, ficaram residindo em casa do Vice-Legado. Tendo este de
viajar a Roma, levou os dois em sua companhia. Padre Vicente aproveitou a
estadia nesta cidade e freqüentou a Universidade, formando em Direito Canônico.
O renegado pediu para ser admitido em um Mosteiro e tornou-se monge.
Tendo o Papa de mandar um documento sigiloso para o Rei da França, padre Vicente
foi o escolhido. Pelos serviços prestados o Rei indicou-o como Capelão da
Rainha. Seu serviço era distribuir esmolas para os pobres que rodeavam o
Palácio, e visitar os doentes do Hospital da Caridade, em nome da Rainha.
Padre Vicente não gostava do ambiente do Palácio e passou a morar em uma pensão,
no mesmo quarto com um juiz. Certo dia amanhecera doente; o empregado da
farmácia que vai atendê-lo, precisando de um copo, vai apanhar em um armário, e
viu ali um dinheiro, que era do juiz, e ficou com ele. Na volta do juiz, não
encontrando seu dinheiro, quis que padre Vicente desse conta dele; como ele não
sabia do acontecido, o juiz colocou-o para fora do quarto e caluniou de ladrão.
Padre
Vicente fica conhecendo o padre Berulle, que mais tarde foi nomeado Bispo de
Paris, e indicou-o para vigário de Clichy, subúrbio de Paris.
Paróquia
pobre, a maioria de seus habitantes eram horticultores. Padre Vicente se deu bem
com eles; as missas eram bem participadas e instituiu a comunhão geral nos
primeiros domingos o mês. Criou a Confraria do Rosário, para todos os dias
visitar os doentes. Padre Vicente atendendo ao padre Berulle, deixa a paróquia e
vai ser o preceptor dos filhos do general das Galeras.
Foi
residir no Palácio dos Gondi, família rica e da alta nobreza. Eles tinham
grandes propriedades e padre Vicente, em companhia da senhora De Gondi, visita
uma destas propriedades; é chamado para atender um agonizante e assiste sua
confissão. Este disse para a senhora De Gondi, que se não fosse a presença do
sacerdote, ele iria morrer em grandes faltas e ia permanecer no fogo eterno.
Padre
Vicente percebeu que o povo do campo estava abandonado e na missa dominical
concitou o povo a fazer a confissão geral. Teve que arranjar outros padres para
ajudá-lo nas confissões, tantos eram os que queriam confessar.Padre Vicente
esteve morando com a família Gondi 5 anos. Simulou a necessidade de ir a Paris e
Atendendo o chamado do padre Berulle, padre Vicente volta para morar em casa dos
Gondi, onde fica mais 8 anos.
Com o auxílio da senhora De Gondi, funda a Congregação das Missões e a Confraria
da Caridade; a primeira cuida da evangelização dos camponeses e a segunda daria
assistência espiritual e corporal aos pobres, isto em 1618. Em Folevile funda
uma Confraria de Caridade para homens, em 23/10/1620.
A
Congregação das Missões surgiu espontaneamente. Padre Vicente conseguiu alguns
colegas para pregações aos camponeses; exigia deles a simplicidade nas
pregações, para o povo entender e rapidamente ela foi aumentando. No princípio
alugaram uma casa para sua moradia. Com o aumento mudaram para um velho Colégio.
O número aumentava. Um cônego que dirigia um leprosário sem doentes ofereceu em
doação os prédios do leprosário para residência dos padres.
A instituição demorou de 1625 até 12 de janeiro de 1633, quando recebeu a Bula
do papa Urbano VIII, reconhecendo a Instituição.
Padre Vicente sempre preocupou com as crianças enjeitadas e abandonadas, com os
velhos e com os pobres e doentes. Durante sua vida criou grandes obras, que até
hoje estão prestando serviços à humanidade.
A
primeira irmã de caridade foi uma camponesa de nome Margarida Nasseau, que, com
a orientação de Luiza de Marilac, ele estabeleceu a Confraria das Irmãs da
Caridade. Elas eram 4 camponesas, hoje são centenas. Isto se deu em 29 de
novembro de 1633.
Padre Vicente criou tantas obras, que em pouco tempo não é possível enumerá-las;
a história de sua vida é uma beleza. A seu respeito existe biografias, que
poderão serem estudadas por vocês. Padre Vicente tinha quase 80 anos quando
faleceu, dia 27 de setembro de 1660.
Em 16 de junho de 1737 foi canonizado pelo papa Clemente XII, e em 12 de maio de
1885 é declarado patrono de todas as obras de caridade da Igreja Católica, por
Leão XIII.
Seu corpo repousa na Capela da casa-mãe – São Lázaro, em Paris.